Reflexão

Reflexão

Nas minhas curtas férias em finais de setembro último, resolvi dar um salto a Piodão, que não conhecia, e fazer uma pequena escapada de 2 dias por ali. No regresso ao Porto fui visitar uma prima que se encontra institucionalizada vai para dois anos, num lar da região centro. Já não a via desde 1 de março, data da visita anterior ao aparecimento dos primeiros casos Covid 19 em Portugal e que levaram à situação de confinamento. Primeiro porque as visitas estiveram canceladas e depois porque passaram a estar sujeitas a agendamento e a dia fixo a meio da semana. Era uma terça-feira e, embora sabendo que não era dia de visita resolvi tentar a sorte. Chegada à porta, que se encontrava fechada a cadeado, toquei à campainha e disse ao que ia e assim sendo se me era permitido vê-la através do vidro. Simpaticamente a srª que estava na recepção acedeu e foi buscá-la. Enquanto aguardava do lado de fora apercebi-me do ar desolador de tudo aquilo. Dos idosos apenas dois estavam por ali… o resto deveriam estar confinados nos seus espaços no andar superior, não sei! Ao fim de 10/15m ou talvez nem tanto, a minha prima apareceu acompanhada e apoiada pela auxiliar ( teve fractura de um joelho há cerca de dois anos) bem cuidada, sorridente (vive no seu mundo) reconheceu-me mas já não foi capaz de se lembrar do meu nome (embora tenhamos o mesmo) assim com reconheceu o meu filho, mas quanto ao nome …nada! Estabeleceu-se uma tentativa de diálogo, ao estilo do mais puro “non sense”. Enfim estive um pouco com ela com um vidro de permeio e vim de lá com uma sensação estranha de vazio…  

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